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segunda-feira, 19 de junho de 2017

Os sentidos da palavra Revelação



REVELAÇÃO NA BÍBLIA

Há um sentido próprio de revelar, mostrar e dois sentidos especiais: Um de revelação de Jesus Cristo (sentido geral) ou particular (mostrar alguma coisa sob a ação do Espírito Santo). O Dicionário Grego de THAYER apresenta os seguintes empregos da palavra:[1]

1.      Em sentido próprio, revelado, exposto, nu (1 Samuel 20, 30).
2.      Tropicamente, em N. T. e linguagem eclesiástica (ver final), 
a. Uma revelação da verdade, da instrução, referente às coisas divinas antes desconhecidas - especialmente aquelas relacionadas à salvação cristã - dadas à alma pelo próprio Deus, ou pelo Cristo ascendido, especialmente através da operação do Espírito Santo (1 Coríntios 2,10) , E assim é distinto de outros métodos de instrução; Portanto, κατά ποκάλυψιν γνωρίζεσθαι, Efésios 3,3. Πνεμα ποκαλύψεως, um espírito recebido de Deus revelando o quê e quão ótimos são os benefícios da salvação, Efésios 1,17, cf. Efésios 1,18. Com o genitivo do objeto, το μυστηρίου, Romanos 16,25. Com o genitivo do subjuntivo, κυρίου, ησο Χριστο, 2 Coríntios 12: 1 (revelações por êxtases e visões, (2 Coríntios 12,7)); Gálatas 1,12; Apocalipse 1,1 (revelação de coisas futuras relacionadas com a consumação do reino divino); Κατ 'ποκάλυψιν, Gálatas 2: 2; Λαλήσω ... ν ποκαλύψει, para falar sobre o terreno de (outros, na forma de) uma revelação, agradavelmente uma revelação recebida, 1 Coríntios 14, 6; Equivalente a ποκεκαλυμμενον, na frase ποκάλυψιν χειν, 1 Coríntios 14,26.
3.      B. Equivalente a τό ποκαλύπτεσθαι como usado em eventos pelos quais coisas ou estados ou pessoas até agora retirados da vista são tornados visíveis a todos, manifestação, aparência, cf. ποκαλύπτω, 2, d. E e .: φς ες ποκάλυψιν θνν, uma luz para aparecer aos gentios (outros tornam "uma luz para uma revelação (da verdade divina) para os gentios", e assim referem o uso a um. Acima), Lucas 2,32 ; ποκαλύψεως δικαιοκρισίας Θεο, Romans 2,5; Τν υἱῶν το Θεο, o evento em que aparecerá quem e o que os filhos de Deus são, pela glória recebida de Deus no último dia, Romanos 8,19; Τς δόξης το Χριστο, da glória vestida com a qual ele retornará do céu, 1 Pedro 4,13; Deste retorno, a frase é usada, ποκαλύψει το κυρίου ησο: 2 Tessalonissenses 1,7; 1 Coríntios 1, 7; 1 Pedro 1, 7, 13. (Entre os escritos gregos, Plutarco usa a palavra uma vez, Cat. Maj. C. 20, da desnudação do corpo (também em Paulo. Aemil. 14 a. δάτων; em Quomodo adul. Ab Amic. 32 α. μαρτίας, ver Sir. 11:27 Senhor 22:22 etc. Veja Trench, § xciv. E referências sob a palavra ποκαλύπτω, no final).)

REVELAÇÃO PARTICULAR: Sentido mais próximo ao usado hoje

CITAÇÃO
TEXTO
1 Cor 14, 16:

E agora, irmãos, se eu for ter convosco falando em línguas, que vos aproveitaria, se não vos falasse ou por meio da revelação, ou da ciência, ou da profecia, ou da doutrina? (ν ποκαλύψει)
2 Cor 14, 30:

Se vier uma revelação a alguém que está sentado, cale-se o primeiro. (ποκαλυφθ).
Gal 2,2:
E subi por uma revelação, e lhes expus o evangelho, que prego entre os gentios, e particularmente aos que estavam em estima; para que de maneira alguma não corresse ou não tivesse corrido em vão.
Ef 1, 17:
Para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos dê em seu conhecimento o espírito de sabedoria e de revelação;
Ef 3,3:
Como me foi este mistério manifestado pela revelação, como antes um pouco vos escrevi;
2 Ts 2,2:
não vos deixeis facilmente perturbar o espírito e alarmar-vos, nem por alguma pretensa revelação nem por palavra ou carta tidas como procedentes de nós e que vos afirmassem estar iminente o dia do Senhor.

Citações de Revelação na Bíblia: II Samuel - 7:17, II Samuel - 7:27, Provérbios - 29:18, Isaías - 8:16, Isaías - 29:11, Daniel - 2:27, Daniel - 9:23, Daniel - 10:1, Mateus - 2:12, Mateus - 2:22, Lucas - 2:32, Romanos - 2:5, Romanos - 16:25, Apocalipse - 1:1,

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Moral Cristã



UM JOVEM CRISTÃO PODE IR ÀS FESTAS E BEBER?
Questões sobre moral cristã

  A
s festas estão relacionadas a uma emoção muito positiva do ser humano que é a alegria. Festas desde tempos imemoriais sempre serviram para celebrar, exaltar a vida. O uso de bebida nas festas atende ao costume de relaxar e tornar a celebração mais descontraída. Tanto as festas seculares quanto as religiosas estiveram ligadas ao uso do vinho tanto na cultura semítica quanto na cultura grega.
Porém, desde o início o cristianismo tem uma forte tendência ao ascetismo. Às vezes era exigido do fiel moderação nos prazeres; em outras regiões ou igrejas o prazer era totalmente desencorajado. No encratismo, temos a posição mais extrema: Todo prazer carnal é posto sob suspeita.
Se você perguntar, a Bíblia proíbe ou não? O texto bíblico é polifônico. Existem textos que falam com naturalidade sobre festas e consumo de bebidas. É importante frisar que festas na Bíblia têm caráter religioso. Isto porque o secular e o religioso estavam interligados. A festa da Páscoa era religiosa e secular simultaneamente. Os antigos hebreus não separavam religião de política. Por lado, existem textos que prescrevem moderação e condenam os “beberrões”. E sabemos hoje que o excesso do consumo de álcool está ligado a uma patologia!
No Novo Testamento, talvez soe melhor para essa orientação o conselho paulino de 1 Coríntios 6, 12: “ ‘Tudo me é permitido’, mas nem tudo convém. ‘Tudo me é permitido’, mas eu não deixarei que nada domine.”. Além disso, a moral cristã se orientou historicamente por uma idéia de autodomínio. Portanto, poder ir às festas e beber em si não há razões para considerar isso pecaminoso. O que deve é cada um medir suas ações considerando quais contribuem de fato para sua felicidade ou não. A “justa medida” de Aristóteles poderá também orientar nessas situações: “Evitar os excessos”.
Quando Jesus comenta essas questões polêmicas da tradição, ele afirma: “O que contamina o homem não é o que entra na boca, mas o que sai da boca, isso é o que contamina o homem” (Mt 15, 11).  É preciso levar em conta que o peso da lei não está tanto nos detalhes das regras, mas o significado maior dos mandamentos que é a preservação da vida e amor ao próximo.
Portanto, é invasiva a atitude de líderes religiosos que tentam controlar seus fiéis proibindo-os de ir às festas e de beber. Eles precisam fortalecer a autonomia deles para que possam estar no mundo e em tudo que é profano, mas preservando a fé que têm. Muitos chegam até insistir que as situações em que Jesus bebeu vinho no Novo Testamento, tratava-se de “suco de uva”. Não precisa jogar com o texto, é só ter autonomia para fazer escolhas.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Minicurso: Evangelhos




INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO:
ABORDAGEM LITERÁRIA E TEOLÓGICA DOS
EVANGELHOS SINÓTICOS E DE JOÃO


ÁREA DE CONHECIMENTO: Literatura Cristã Primitiva
RESPONSÁVEL: José Aristides da Silva Gamito
LOCAL: Conceição de Ipanema
PERÍODO: Março/2017
CARGA HORÁRIA: 10 h

EMENTA:
Abordagem histórica da redação dos evangelhos, interfaces com a literatura grego-romana e judaica, estruturas e temas literários à luz das teorias de Mikhail Bakhtin e a apresentação das perspectivas teológicas dos evangelhos canônicos.

OBJETIVO GERAL:
Proporcionar conhecimentos e reflexões sobre os evangelhos canônicos como literatura cristã primitiva.

METODOLOGIA:
Exposição oral e leituras orientadas.

BIBLIOGRAFIA:

DIEHL, Judith. What is a Gospel? Recent Studies in Genre Gospel Genre. Current in Biblical Research, 9(2), 2011, pp. 171-199.

HENRIQUE, Flávio. Introdução ao Novo Testamento. Londrina: Faculdade Teológica Sulamericana, 2014.

KRAUS BERGER. As Formas Literárias do Novo Testamento. São Paulo: Edições Loyola, 1998.

ZABATIERO, Júlio. Para Uma Hermenêutica Bíblica. São Paulo: Fonte Editorial, 2012.

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Buscando a essência do Cristianismo:

O QUE É FUNDAMENTAL NO CRISTIANISMO?

José Aristides da Silva Gamito[1]


H
á alguns anos escrevi um pequeno artigo com um título bem provocador “Cristianismo como Projeto Fracassado”. Na ocasião, eu questionava se de fato o cristianismo conseguiu colocar em prática seu projeto espiritual, moral e social. Mesmo na Idade Média, auge da hegemonia cristã na Europa, tal projeto não se consolidou. O que vimos foi na verdade uma decadência moral por causa da estreita relação entre poder eclesiástico e poder político: Causas da Reforma.
A novidade moral do cristianismo acabou se perdendo muitas vezes por causa da institucionalização de dogmas e de práticas. Historicamente, as instituições e as doutrinas foram se complexificando e os fiéis acabaram tomando como prioridade os valores mais diversos que eram exaltados em determinada época. Por isso existem tantas correntes dentro do cristianismo.
Mas não deveria o cristianismo ser simples? É claro, exigente! Porém, simples. Não é isso que lemos nos Evangelhos? Jesus sintetiza a Lei (Torah) e os Profetas (Neviim) no imperativo “Assim, em tudo, façam aos outros o que vocês querem que eles lhes façam” (Mateus 7, 12). O núcleo do Evangelho diz respeito às relações interpessoais. Elas são a base de uma sociedade. Se não houver essa revolução interna em cada ser humano, na base das relações interpessoais, não haverá comunidade fraterna, justa e solidária.
O problema é que existe uma maioria esmagadora de movimentos cristãos que têm como foco principal de sua ação alguns valores que não são fundamentais no cristianismo. Há uma preocupação excessiva com milagres, prosperidade, ação do Diabo. Mas que diferença prática isso faz no mundo? Em Mateus 12, 30-31, Jesus enfatiza que não há mandamentos maiores do que “amar a Deus e ao próximo como a si mesmo”. Portanto, a mudança que o fiel cristão tem de fazer internamente e expressar externamente nas relações constituem o núcleo do cristianismo.
É justamente nesse terreno que o cristianismo perde força. A excessiva preocupação com rituais gera um cristianismo desfocado, deslocado do seu eixo moral. E ocorre uma frequente dissociação entre moral e vida. Se entre cristãos existem desigualdade social, miséria, pobreza, gente explorada, é porque esse projeto não está consolidado. E isso é fato! Portanto, temos um cristianismo “fora do centro”. Quando se perde o fundamental por distração ou má-fé, recorre-se a ritualismos, ao culto dos espetáculos para satisfazer o que se espera do cristianismo. A relação com Jesus é muito egocêntrica, não deixa espaço para incluir o outro. Na prática, isso não passa de “pseudocristianismos”!




[1] Professor de Filosofia. E-mail: joaristides@gmail.com.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Revelação e Revelações


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O USO DE PRÁTICAS DE REVELAÇÃO NO MEIO NEOPENTECOSTAL


1.   O termo Revelação

No meio teológico tradicionalmente o termo “revelação” refere-se à manifestação do plano salvífico de Deus à humanidade através do povo de Israel. É um evento que se encerra com os últimos apóstolos. Não há um fechamento à manifestação de Deus, porém, entende-se que tudo que Deus teria de revelar aos homens e que seria útil à salvação deles já foi feito. Jesus é o centro desta revelação.
Porém, os movimentos neopentecostais têm utilizado esse termo de maneira constante no sentido de revelações particulares. Essas revelações nem sempre atendem ao caráter comunitário da revelação. Dizem respeito a situações muito particulares da vida dos membros da Igreja e, às vezes, se prestam a mera curiosidade e se confunde com práticas de adivinhação. Um fato estranho à ortodoxia cristã.
As revelações se inserem no movimento das igrejas neopentecostais que têm como características práticas como “ênfase nos dons espirituais, especialmente os mais extraordinários (línguas, profecias, curas); forte emotividade, especialmente nos cultos; ênfase à pessoa e atividade do Espírito Santo; valorização da figura do líder (o “ungido do Senhor”); preocupação constante com as forças do mal; e grande ênfase ao conceito de “poder.”[1]
Essas manifestações são frutos do cristianismo do século XX, mas ocorreram também na Igreja Primitiva. De modo geral, o cristianismo ortodoxo não supervalorizou essas práticas porque se aproximavam muitos de religiões mistéricas, pagãs. Além da espontaneidade dos movimentos carismáticos ser perigosa para a unidade do poder da Igreja.

2.   As revelações e a ortodoxia

O apelo constante a revelações tem como conseqüência a relativização das escrituras e abertura para práticas de adivinhação dentro de cultos cristãos.
Matos esclarece ao comentar a relação dessas práticas como a Bíblia:

O apelo a revelações: obviamente, se alguém acredita que Deus continua a revelar-se de maneira direta, imediata, isso tende a relativizar as Escrituras; elas não mais são a revelação final de Deus, a única regra de fé e prática para o crente. Quando um pregador diz “o Senhor me revelou ou o Senhor me mostrou isso ou aquilo”, tudo pode acontecer, e é proibido questionar, pois é palavra do Senhor.[2]

Essas revelações particulares podem formatar a prática cristã de maneiras muito diversas e diferentes em relação à Bíblia. Se o fiel pode dizer uma verdade incontestável em nome de Deus, muitas decisões perigosas podem ser surgir desta espontaneidade.
As revelações ou profecias colocam em dúvida a seriedade do ministro quando não se cumprem:

(f) Profecias: outra prática comum de certos grupos neopentecostais são as profecias, supostamente recebidas mediante revelações. Com freqüência, tais profecias expressam meros desejos ou expectativas do “profeta” em relação a uma pessoa ou grupo, mas são proferidas em tom dogmático, como se fossem tão inspiradas quanto a Bíblia. Muitas vezes, as profecias não se cumprem, os seja, são falsas profecias, o que faz de seus anunciadores falsos profetas, mas ninguém se lembra de pedir desculpas, de reconhecer que errou, que não estava falando a palavra do Senhor.


         Além de desautorizar a revelação bíblica, o ministro acaba sendo revestido de um poder de interpretar a vontade de Deus. Essa espontaneidade pode gerar muita confusão porque os critérios de recepção da veracidade da revelação são subjetivos. Se atendem ao desejo do fiel são verdadeiros, se não atendem, são falsos.
         Portanto, essas revelações particulares se caracterizam como subjetivas, egocêntricas e mágicas. Enquanto, a revelação no sentido tradicional se refere a uma manifestação de Deus com destinação comunitária e que é interpretada pela Igreja e não simplesmente pela vontade do fiel.



[1] MATOS, Alderi de Souza. O Desafio do Pentecostalismo e as Igrejas Reformadas. Disponível em:
http://www.mackenzie.br/7090.html. Acesso em: 20. set. 2016.
[2] MATOS, 2016, s.p.