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sábado, 24 de agosto de 2013

Tradição e modernidade: Conciliação necessária


Relação Igreja e a sociedade contemporânea


          Por último, a eclesiologia deve nos fazer compreender a relação da Igreja com a sociedade contemporânea.  Esta Igreja vive um duplo movimento: Afirmação da identidade tradicional e abertura para acolher os novos valores. O Concílio Vaticano II trouxe uma contribuição importante para a Igreja que a ajudou a absorver o mundo e não fazer oposição ao mesmo.
          Se no século XVIII, houve uma reação defensiva ao modernismo. Após o Vaticano II, a Igreja tornou-se cooperadora da modernidade vista enquanto uma época de novas oportunidades de crescimento para o homem. Porém, todo o avanço da Igreja e a atualização de sua mensagem evangélica e moral são guiados pela sua tradição bimilenar. Então, ao mesmo tempo em que ela abraça as novidades, ela se mantém resistente às novas posturas que não encontram respaldo em sua tradição.
          Há alguns problemas que têm de ser debatidos com liberdade internamente na Igreja. O pedido de perdão pelos erros passados feito pelo papa João Paulo II representou este momento de a Igreja admitir a sua historicidade. Dentre as acusações normalmente feitas à Igreja, as Cruzadas, a Inquisição, são as que mais pesam. Realmente, muitas autoridades que exerciam simultaneamente o poder religioso e o poder civil cometer excessos. O católico contemporâneo precisa enfrentar este passado.
          Novos problemas cercam a Igreja. E mais do que nunca novas respostas devem ser dadas: O ministério feminino, a comunhão dos recasados, o espaço dos homossexuais, o aborto, o uso dos contraceptivos e os escândalos de pedofilia e financeiros do Vaticano. Muitas posturas são claramente erros de indivíduos, outras posturas possuem razões teológicas e continuarão na contramão dos novos valores.
          O ministério feminino: Na Igreja primitiva havia um espaço considerável para a mulher apesar de ser uma sociedade patriarcal. Ao longo da história foi se restringindo, somente após o Vaticano II que houve uma redescoberta dos ministérios femininos. Porém, a participação no ministério ordenado se encontra impedida porque não referência suficiente na Tradição para autorizá-la. Contudo, não há uma proibição expressa nas Escrituras já que nos escritos do Novo Testamento ainda não havia doutrina clara sobre os ministérios ordenados, pode-se deduzir alguns princípios implicitamente.
          A segunda união: Os Evangelhos são claros quanto à indissolubilidade matrimonial. A prática sacramental da Igreja reforça a sua doutrina, mas sempre sabendo que o maior mandamento é o amor. As novas posturas morais têm exigido um cuidado especial com a questão da vida matrimonial. A participação dos recasados no sacramento da Eucaristia é uma questão mais pastoral do que doutrinária.
          A inclusão dos homossexuais: Do ponto de vista das Escrituras, há uma condenação da homossexualidade (Lv 18, 22; Lv 20, 13). As proibições dizem respeito até mesmo ao modo de vestir (Dt 22, 5). Temos de analisar os textos levando em conta que surgiram em uma sociedade patriarcal que valorizava muito a procriação. Portanto, todo contato sexual que não possibilitasse a reprodução era reprovado. Sempre houve um conflito entre doutrina e costumes. Há comportamentos que eram tolerados em uma determinada sociedade que não são mais na idade contemporânea, como por exemplo, a escravidão. Portanto, as comunidades devem seguir a recomendação do Catecismo da Igreja Católica (2357) que pede para acolher os homossexuais: “(...) homossexuais (...) Devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza. Evitar-se-á para com eles todo sinal de discriminação injusta.”
Porém, a moral cristã continua considerando uma opção incorreta, mas que não pode ser utilizada para discriminar. E pelas mesmas razões citadas anteriormente a união homossexual pode ser elevada à condição de casamento. São razões doutrinárias dada a natureza sacramental do matrimônio.
          O aborto e o direito da mulher: O aborto tornou-se um dos mais espinhentos problemas de moral que a Igreja enfrenta hoje nos estados laicos. A emancipação feminina trouxe à tona a possibilidade de a mulher decidir sobre seu corpo. Sabemos da dor das mulheres que engravidam como resultado de um estupro.
          Como regral geral, o aborto é um assassinato. Além disso, o embrião não é um simples prolongamento do corpo materno sobre o qual a mulher tem todos os poderes. Ele é outra pessoa humana. Portanto, o direito da mãe não coincide necessariamente com o direito do nascituro.

sábado, 16 de março de 2013

Eclesiologia


ECLESIOLOGIA[1]:
NATUREZA E FUNDAMENTOS DA IGREJA

José Aristides da Silva Gamito[2]


1.  Definição e origem da eclesiologia

     A teologia é uma área de estudos muito ampla. Para facilitar o estudo dos diversos assuntos que dizem respeito à teologia, geralmente, nós a dividimos em áreas menores. A eclesiologia é uma delas. É justamente aquela área que estuda os fundamentos e o significado da Igreja. Esta divisão da teologia é chamada de eclesiologia porque a palavra ekklesía que dizer “Igreja”, logia “estudo”. Portanto, estudo sobre a Igreja. É uma palavra da língua grega, a língua em que foi escrito o Novo Testamento. Originalmente, ekklesía significa “assembleia convocada”.
     A eclesiologia surgiu em um momento que a Igreja passou a ser contestada. Nos primeiros mil anos da era cristã não houve necessidade de estudar a Igreja de modo específico. A Igreja era uma realidade comum, aceita sem contestações. A primeira obra sobre o assunto é de Tiago Viterbo intitulada de “Sobre o Regime Cristão”, escrita entre 1301 e 1302.  No século 16, surge a obra “Sobre a Verdadeira Igreja” que se torna referência sobre o estudo sobre a Igreja até o Concílio Vaticano II.
    
2.  Eclesiologia bíblica

     O período de formação da Igreja passa por duas etapas: Período do discipulado e o período apostólico. Com Jesus os discípulos aprendem a mensagem do Evangelho e os fundamentos da Nova Aliança. Depois da morte de Jesus, eles assumem de vez o apostolado, ou seja, tornam-se testemunhas e pregadores da mensagem de Jesus. Portanto, a Igreja nasce sob o testemunho dos apóstolos. Neste sentido, dizemos ‘Igreja Católica Apostólica’.  

2.1.  Período do Discipulado: O ministério de Jesus com os apóstolos
            Depois de ter sido batizado, Jesus inicia seu ministério. Supõe-se que seu tempo de pregação pública tenha durado três anos. Partindo de um convite à conversão, Jesus forma seus discípulos depois de chamá-los ao seguimento com três ações: a) Conjunto de parábolas sobre o reino; b) Uma releitura da Lei. C) Conjunto de sinais (milagres, na linguagem de João).
     Jesus escolhe 12 apóstolos e os envia a pregar o Evangelho.  A missão dos apóstolos é a seguinte: Proclamar a proximidade do Reino, curar os doentes, purificar os leprosos e expulsar os demônios. A primeira missão dos apóstolos restringe-se “às ovelhas perdidas da casa de Israel” (Mt 10, 5-15). Porém, o mesmo Jesus já avisa sobre as consequências deste caminho: Muitas perseguições.
     Jesus delega poderes a este grupo: “... tudo quanto ligardes na terra será ligado no céu” (Mt18, 18).  E de certo modo, confia a Pedro um lugar à frente da Igreja (Mt 16, 18). Neste trecho, ocorre a expressão “minha Igreja”.
     Todo o processo de formação do grupo dos 12 começa com o convite: “Segui-me e eu vos farei pescadores de homens” (Mt 4, 19).  Jesus convida seus discípulos e os ensina durante o período que compreende desde seu batismo até a sua morte. Em Mateus 10, são citados os nomes dos apóstolos que compõem um grupo de 12, talvez em alusão às 12 tribos de Israel. Em Lucas 10, 1, fala-se de 70 discípulos, outra menção diz 72[3]. Poderíamos dizer que no período do discipulado há uma comunidade judaica seguidora de Jesus com uma estrutura mínima de diferença em relação aos judeus. A Igreja surgirá, de fato, com os apóstolos.
     Após a morte de Jesus, começa o período de apostolado, ou seja, os apóstolos impulsionados pelo acontecimento de Pentecostes anunciam o Evangelho a outras pessoas. Este é o mandamento de Jesus: “Ide, portanto, e fazei que todas as nações se tornem discípulos, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo e ensinando-as a observar tudo quanto vos ordenei” (Mt 28, 19). A partir deste momento a comunidade cristã começa a se organizar e se expandir.

2.2.  Período Apostólico: As primeiras comunidades cristãs
2.2.1.      A Igreja nos Atos dos Apóstolos
     O evento de Pentecostes é decisivo para o nascimento da Igreja (At 2, 1-13). Os apóstolos se animam e se sentem responsáveis pela propagação do Evangelho.  O que motiva qualquer cristão neste período é o aumento do número de conversões, o fervor da fé e o espírito de fraternidade. A primeira comunidade surge em torno de Jerusalém, em seguida Damasco e Antioquia se despontam como importantes centros de propagação da fé, e foi marcada por algumas características:
     a) Assiduidade ao ensinamento dos apóstolos: Esses ensinamentos são a mensagem salvífica do Evangelho que diminui a ênfase na Lei e foca mais a atenção na fé em Jesus Cristo. O centro da pregação é que Jesus é o Senhor (Ressuscitado e Vivente) que trouxe a redenção de todos os povos.
     b) Observância da comunhão fraterna: A partilha de bens e serviços é uma marca distintiva da comunidade, a comunhão entre as pessoas é o cumprimento do novo mandamento.
     c) Partilha do pão: A eucaristia é o centro da organização da vida e do tempo na comunidade primitiva e é a forma de rememorar a presença de Cristo no meio deles. Todo o primeiro dia da semana era dia de reunião (Dia do Senhor: Domingo).
     d) Vida de oração (At 2, 42): Os primeiros cristãos seguiam um ritmo de oração semelhante ao costume judaico. Vários momentos durante o dia. O capítulo 8º da Didaquê[4] recomenda que se reze três vezes ao dia. Além disso, a oração, o jejum e a esmola são práticas comuns.
     Desde o início a Igreja se sustenta sob a autoridade dos apóstolos. Esta é uma propriedade fundamental da Igreja, a apostolicidade[5]. Algumas exigências são necessárias para pertencer à Igreja como a conversão e o batismo. A própria pregação de Jesus se inicia com o duplo imperativo: Conversão e fé (Mc 1, 15).
     A fé cristã tem como fundamento o anúncio (kerigma). Os novos cristãos ouvem o anúncio, creem, arrependem-se e são batizados. Toda a verdade da fé é sustentada pela autoridade dos apóstolos, portanto, eles são testemunhas do Evangelho: “O que vimos e ouvimos vo-lo anunciamos para que estejais também em comunhão conosco” (1 Jo 1, 3).
    
2.2.2.      O processo de independência da Igreja Primitiva
     Os primeiros passos da Igreja estão registrados nos Atos dos Apóstolos. As cartas paulinas registram os ensinamentos e a disciplina que as primeiras comunidades adotam para seu funcionamento.  Após a Ascensão de Jesus, os discípulos foram impulsionados pelo Espírito a continuar a obra de Jesus. Por isso, o primeiro convite às nações pagãs a aderirem ao Evangelho é chamado de kerygma “anúncio”.
     No começo o termo apóstolos se refere aos Doze. Alguns traços importantes da organização da Igreja nos Atos dos Apóstolos: A substituição de Judas por Matias (At 1, 21-26). Mais tarde os apóstolos vão constituindo novos sucessores.
     Da pregação dos apóstolos surge uma comunidade em Jerusalém. Os primeiros cristãos constituíam inicialmente um grupo a mais do judaísmo, “seita do nazareno”.  Com a expansão da pregação dos apóstolos outras comunidades judaicas fora da Palestina também foram se formando. Pelo menos, no começo, havia dois grupos de cristãos:
     I. Os judeus cristãos: Eram fiéis seguidores das tradições judaicas e da lei de Moisés e frequentavam o templo, a diferença é que acreditavam em Jesus como o Messias. Eles falavam o aramaico e viviam em Jerusalém e em outras partes da Palestina, eram de origem rural.
  II. Os cristãos helenistas: Eles seguiam a lei de Moisés com menos rigor, viviam nas colônias judaicas a redor do mar Mediterrâneo, eles falavam o grego e eram de origem urbana.
     A estrutura inicial da Igreja era muito simples. Era uma Igreja doméstica. Os cristãos se reuniam aos domingos nas casas e celebravam a Eucaristia. A liturgia era formada pela escuta dos ensinamentos dos apóstolos, pela partilha do pão e pela comunhão dos bens. Com os conflitos surgidos com os judeus tradicionais, cada vez mais os cristãos foram se diferenciando e tornando-se um grupo independente.
     Inicialmente, a comunidade helenista cristã não pensou em uma organização eclesiástica porque considerava a vinda de Jesus imediata. E de modo semelhante, a comunidade cristã judaica não pensou na estrutura própria porque se sentia pertencente à estrutura do judaísmo (BULTMANN, 1980).
     No período de 66 a 70, a Palestina entra em guerra com os romanos. Os cristãos que já haviam se distanciado do judaísmo e que eram perseguidos por reconhecer Jesus como Messias, se separam definitivamente do judaísmo. Um momento decisivo para esta ruptura é a conclusão que os apóstolos chegam que para ser cristão não era necessário ser judeu. (CORTEZ & DÍAZ, 2000).
     A controvérsia em torno da necessidade da circuncisão para ser cristão é decidida em uma reunião em Jerusalém. Pedro sustenta que a salvação se dá pela graça e não pela circuncisão (At 15, 1-12).  Este foi o Concílio de Jerusalém, importante momento de organização da Igreja primitiva.

2.1.3. Período Pós-apostólico
     Historicamente, o período de consolidação da Igreja está dividido em período apostólico (30-65 d. C.) e período subapostólico (66-100 d. C.). Este segundo poderia ser chamado também de pós-apostólico. Nesta época alguns fatores contribuíram para um momento decisivo de consolidação da Igreja: A morte dos apóstolos, o fechamento das sinagogas aos cristãos e a separação radical entre cristianismo e judaísmo.
     Na comunidade de Jerusalém se estabeleceu como estrutura de poder o modelo do Conselho Sinagogal. Já nas comunidades paulinas e joaninas a autoridade já era carismática, havia vários mediadores que dependiam das necessidades. Nas comunidades petrinas, a autoridade provém dos apóstolos. Nas cartas pastorais, os chefes de família tendem a assumir a liderança. No Novo Testamento ainda não há uma definição precisa para a hierarquia da Igreja. Mais tarde, nos textos de São Clemente e na Didaquê aparecem dois ministérios: Os bispos e os diáconos. Por fim, os presbíteros e diáconos são compreendidos como ministérios que auxiliam e estão em torno do bispo.

3.  Compreensão de Igreja nas diferentes épocas da história

3.1.  A consolidação da Igreja na história
       A Igreja como nós a conhecemos hoje não se fez num dia. As primeiras comunidades foram organizadas e conduzidas pelos apóstolos e ganharam contornos aos poucos. Com a morte dos últimos apóstolos, a Igreja começou a consolidar algumas tradições que iriam dirigir o rumo dela: Definição do cânon das Escrituras; consolidação dos ministérios e da hierarquia; fixação dos dogmas em concílios e o consenso em torno do primado romano.
       Essas medidas organizativas foram fundamentais para que a Igreja sobrevivesse. A jovem Igreja possuía dois opositores: Internamente, havia os hereges que tendiam em dividi-la; externamente, o Império Romano queria aniquilá-la. As divisões internas da Igreja foram combatidas com a autoridade de certos bispos e diversos defensores da fé.  Havia várias interpretações sobre a doutrina cristã, os concílios fixaram-nas pondo fim às controvérsias (as heresias). Por outro lado, vários apologistas defenderam a Igreja diante do Império Romano.
       Os pais da Igreja tiveram uma atuação decisiva na preservação da doutrina dos apóstolos. A primeira geração conviveu de modo direto ou indireto com os apóstolos. Alguns são chamados de padres apostólicos e são justamente aqueles que vieram imediatamente após os apóstolos. O Concílio de Niceia (325 d. C.) é um acontecimento marcante neste período de consolidação da Igreja.  Tanto é que os padres são divididos em antenicenos (antes do Concílio), nicenos (durante o Concílio) e pós-nicenos (depois do Concílio).
       São os principais padres da primeira geração Clemente de Roma, Inácio de Antioquia e Policarpo de Esmirna. Inácio foi bispo de Antioquia, terceira cidade mais importante do Império Romano. Policarpo é uma testemunha importante dos tempos apostólicos segundo Tertuliano ele chegou a conhecer o apóstolo João. Clemente é considerado o primeiro pai da Igreja.
       Portanto, os pais da Igreja foram autoridade que defenderam e preservaram a doutrina dos Apóstolos.  Até o século 4º a Igreja viveu um período de instabilidade com pressões internas e externas. Houve muitas heresias e divisões, perseguições por parte do Império Romano. Outra figura que aparece neste período são os mártires e os confessores. São cristãos que testemunharam a fé até o fim. A Igreja se firmou sob o sangue dos mártires.  Recordando, os pais da Igreja, mártires e confessores afirmaram a autenticidade da Igreja contra os hereges e o Império Romano.
       Finalmente, em 313 os cristãos conseguiram a liberdade religiosa através do Édito de Milão dos imperadores Constantino e Licínio. Neste período, acontecem os primeiros concílios que põem fim a dúvidas sobre a doutrina cristã: Concílio de Niceia (325), Constantinopla I (381), Éfeso (431) e Calcedônia (451). Estes concílios definiram a doutrina sobre Maria como Mãe de Deus, as naturezas divina e humana de Cristo e sobre a Trindade. O texto mais conhecido desta época que resume a doutrina da Igreja é o Símbolo Niceno-constantinopolitano.

3.2.  A Eclesiologia dos Pais da Igreja
            Imediatamente à morte dos apóstolos, a Igreja se sustenta com uma classe de cristão muito importante: Os pais (ou padres) da Igreja. Estes homens foram escritores e catequizadores que passaram a refletir sobre a fé cristã, a escrever sobre seus princípios e a defendê-la diante da sociedade romana.  Nesta época, não houve reflexão organizada sobre a Igreja que pudéssemos chamar de eclesiologia, mas podemos observar em vários sermões a referência à autoridade dos apóstolos, a sucessão apostólica, a unidade da Igreja Católica.

3.3.  A Igreja na Idade Média e na Idade Moderna
     Do mesmo modo na Idade Média e Idade Moderna a Igreja é entendida de modo tão natural que não há uma reflexão específica sobre sua natureza. Depois de Tiago Viterbo (século 14), surge mais tarde o tratado “Sobre a Verdadeira Igreja” que lança as bases das reflexões sobre a Igreja até o Concílio Vaticano 1º. Esta reflexão se organiza em três vias (caminhos):
A) Via da história: Ao examinar os documentos antigos conclui-se que a Igreja sempre foi uma sociedade, visível, permanente e hierarquicamente organizada.
B)  Via das notas distintivas: Cristo dotou a Igreja de quatro notas distintivas: Unidade, santidade, catolicidade, apostolicidade.
C) Via da experiência: A presença divina na Igreja confirma a sua transcendência (adotada pelo Concílio Vaticano 1º).
     No Concílio Vaticano 1º, o elemento que é posto em evidência é a infalibilidade papal. Por meio deste dogma o concílio quis assegurar que a legitimidade e autoridade da Igreja estão no ministério do papa que é a continuação histórica da autoridade de Pedro recebida diretamente de Cristo.

4.  As marcas distintivas da Igreja
    É comum em todo estudo sobre a Igreja apresentar as quatro qualidades distintivas dela: Unidade, santidade, catolicidade e apostolicidade. Estes adjetivos foram incorporados no Símbolo de Constantinopla em 381 e são reflexões originais de São Cirilo de Jerusalém. A liturgia conservou costume de professar a fé durante as missas, no texto a assembleia repete que acredita na Igreja Uma, Santa, Católica e Apostólica.
4.1.  Igreja Una
       A Igreja se define pela unidade dos fiéis em torno de Cristo professando uma só fé, um só batismo, um só Deus, uma só esperança em um só corpo e um só espírito (Ef 4, 4-5). A unidade é a qualidade fundamental da Igreja porque o grande desejo de Jesus foi a comunhão de todos os seus seguidores: “Pai santo, guarda-os em teu nome que me deste, para que sejam um como nós” (Jo 17, 11). A unidade da Trindade é o modelo de comunhão desejado para a Igreja. Quando se fala desta unidade/comunhão não se deve confundir com uniformidade. A Igreja sempre conteve em si a diversidade. Ela é comunhão de Igrejas. Cipriano de Cartago na obra De Unitate Ecclesiae (A Unidade da Igreja) usa a imagem da luz para descrever a unidade da Igreja, muitos são os raios, mas uma só é a luz.
4.2.  Igreja Santa
       A Igreja é constituída de pecadores. A santidade é porque todos participam da graça de Jesus, são chamados à santidade e conservam em si o auxílio necessário para ser santo. É um conceito teológico. Isso não significa que não haja pecados individuais e reais na Igreja.
4.3.  Igreja Católica
       A Igreja nasceu aberta a todos os povos. Diferentemente do judaísmo que era uma religião nacional, o cristianismo surge como uma proposta universal. A palavra católico quer dizer “universal, para todos”.
4.4.  Igreja Apostólica
       A apostolicidade revela a natureza da Igreja. Ela nasce sob a autoridade do testemunho dos apóstolos que aprenderam diretamente de Jesus o Evangelho e são autoridades morais e históricas para fundar, expandir e conduzir a Igreja. Não é possível fala de Igreja autêntica sem levar em conta sua origem apostólica.

5.  Os conceitos fundamentais da Igreja

     Na definição da Igreja deve se observar duas dimensões principais: Mística e social. A Igreja é uma comunidade mística, mas também uma instituição histórica, terrena. Portanto, reduzi-la a um só aspecto empobrece a compreensão que a Tradição sempre teve a seu respeito.
a)   Sacramento: De acordo com o Concílio Vaticano 2º a Igreja é sacramento de salvação. A afirmação quer dizer que a Igreja é o sinal visível de união de todos os povos em torno de Cristo, o autor da salvação.
b)   Comunhão: A Igreja possibilita a comunhão com Deus através da Palavra e dos sacramentos e a comunhão dos cristãos entre si. A Igreja é comunhão de Igrejas locais. A figura bíblica para entender este conceito é a videira. Jesus é a videira e todos os cristãos são ramos, todos os ramos dependem de sua seiva, quem se desliga dela, perece (Jo 15, 4-5).
c)    Povo de Deus: A Igreja é entendida como a comunidade dos batizados. São características importantes da Igreja: A pessoa se torna membro dela pela fé e pelo batismo; o mandamento que rege o povo de Deus é o amor; e é um povo sacerdotal profético e régio.
d)   Corpo de Cristo: A Igreja une em si a dimensão humana e divina da comunidade dos batizados (fiéis e hierarquia). Ela é sociedade organizada e ao mesmo tempo corpo místico. Seu chefe é Cristo.
e)    Tradição viva: A Igreja continua conservando e transmitindo os ensinamentos dos apóstolos. Uma tradição foi confiada à Igreja e deve ser continuamente transmitida.
f)    Sociedade: Em hipótese nenhuma deve se descuidar do aspecto social da Igreja. Ela é sociedade visível e estruturada hierarquicamente.
g)   Instituição: Ela se define por uma estrutura e por certas atividades permanentes que permitem identificá-la. É instituição humana.

6.  Fundamentos eclesiológicos do Vaticano II
          O Concílio Vaticano II trouxe uma nova compreensão de Igreja. Aliás, recuperou uma antiga compreensão. A Igreja deixa de ser entendida como hierarquia e passa compreender todo o povo de Deus. Esta é a novidade do principal documento do concílio sobre a Igreja Lumen Gentium (Luz dos Povos). Pelo documento Gaudium et Spes (Alegria e Esperança) outra preocupação nova da Igreja é com o mundo externo.
7.  Problemas atuais de eclesiologia

     Nas últimas décadas, observamos na Igreja do Brasil quase uma disputa de espaço entre dois modelos eclesiológicos. As Comunidades Eclesiais de Base/Teologia da Libertação e o movimento pentecostal católico representado pela Renovação Carismática começaram a polarizar a eclesiologia. Esta diversidade é importante, mas precisa saber dialogar. Analisemos as duas tendências.

7.1.       A eclesiologia das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs)

          O surgimento das CEBs na América Latina foi um despertar da Igreja que a fez se situar no cenário político, econômico e social dos países latino-americanos. A percepção de que não poderia ser Igreja na América Latina sem a opção preferencial pelos pobres foi um grande salto.  Muitas características da Igreja Primitiva foram recuperadas como a partilha dos bens, a Igreja doméstica e a apresentação do Evangelho como processo de libertação.
          As críticas que pesaram sobre o movimento foi as de identificação com partidos políticos. Se os processos sociais são tão dinâmicos identificar a mensagem cristã com a hegemonia de um partido poderia significar o risco de reduzir a Igreja.

7.2.       A eclesiologia dos movimentos pentecostais

          O movimento pentecostal representado pela Renovação Carismática Católica, por sua vez, devolveu a Igreja em tempos de adaptação ao mundo moderno, a busca de uma espiritualidade intimista, recuperação de práticas tradicionais de oração e um conjunto de comportamentos que havia sido ultrapassado, em parte, pela renovação do Concílio Vaticano II
          As críticas que pesaram sobre este movimento foi a supervalorização do além em prejuízo da realidade sócio-econômica do fiel. Portanto, em todos os casos faltaram ponderações e equilíbrios.

REFERÊNCIAS

BULTMANN, Rudolf. Teología Del Nuevo Testamento. Salamanca: Ediciones Sígueme, 1980.
FORTE, Bruno. La Iglesia: Icono de la Trinidad. Salamanca: Ediciones Sígueme, 1992.
FUENTE, Eloy Bueno de la. Eclesiología. Madrid: Biblioteca de Autores Cristianos, 1998.



ROTEIRO DE ESTUDOS INDIVDUAIS

Para o melhor aprofundamento dos temas, o estudante deverá proceder individualmente ou em grupo procurando ampliar e fixar os assuntos estudados através de algumas leituras:

  1. Para tomar conhecimento aos poucos da linguagem da teologia faz-se necessário aprender o significado de algumas palavras: Estude o Vocabulário Teológico.
  2. Reflexão sobre o retrato da primeira comunidade cristã: At 2, 42-47; 4, 32-35.
  3. Leitura recomendada sobre as qualidades distintivas da Igreja: Catecismo da Igreja Católica, números de 811 a 865.   A mesma leitura pode ser feita no Catecismo Jovem da Igreja Católica (YOUCAT): Números de 121 a 145.
  4. Textos do Vaticano II: Lumen Gentium e Gaudium et Spes.



[1] Texto-base para as aulas de Eclesiologia do Curso de Teologia da Paróquia de Santa Margarida, com início a 16 de março de 2013.
[2] Graduado em filosofia, teologia e especialista em educação, residente em Conceição de Ipanema (MG). Contato: joaristides@gmail.com / Acesse: www.teologiapopular.blogspot.com.br.
[3] O Tratado do Pseudo-Doroteu lista o nome dos 70 ou 72 discípulos.
[4] A Didaquê foi o primeiro catecismo da Igreja. Ele foi escrito entre os anos 60 e 70 d. C. Ele contém um resumo do ensinamento dos apóstolos.
[5] Tertuliano, escritor cristão do século 2º, expressava: “Ecclesia ab apostolis, apostoli a Christo, Christus a Deo” (A Igreja a partir dos apóstolos, os apóstolos a partir de Cristo e Cristo de Deus).

domingo, 25 de novembro de 2012

Maria no Cristianismo


MARIOLOGIA: INTRODUÇÃO GERAL

José Aristides da Silva Gamito

Introdução

A discussão em torno do papel de Maria no cristianismo é tão presente e extensa que surgiu um tratado específico para estudar os dogmas referentes à mãe de Jesus. Esta parte da teologia chama-se mariologia, isto é, estudo sobre Maria. As fontes para uma teologia sobre Maria são as Escrituras, os Concílios e as tradições litúrgicas.
Pelo menos as seguintes fontes são importantes para a discussão sobre Maria: a) Novo Testamento, b) Os cânones do Concílio de Éfeso, c) As fórmulas litúrgicas antigas, d) O Proto-Evangelho de Tiago e e) O Tránsitus Mariae.

Maria no Novo Testamento

As informações sobre Maria nos textos do Novo Testamento são escassas porque a atenção está toda voltada para Jesus.
Os atributos de Maria na Bíblia são: a) kekharitoméne – agraciada, cheia de graça (Lc 1, 28); b) eulogeméne – bendita entre as mulheres (Lc 1, 42); c) méter toú Kyríou – mãe do meu Senhor, d) kaí makaría he pisteúsasa – feliz porque acreditou (Lc 1, 45), e) makariousí – bem-aventurada. Essas expressões dão a Maria um destaque diante das outras mulheres por causa de Jesus.
Cada evangelista apresenta Maria sob um ponto de vista diferente: MARCOS (ano 60) – Ela é apresentada como a mãe carnal de Jesus. Não há destaque. MATEUS (ano 70) – Maria é apresentada aos judeus, portanto, destaca-se sua história como cumprimento das profecias. Maria é a parthénos (virgem/moça/não casada) que dará à luz o Emanuel. LUCAS (ano 80) - Maria é uma mulher de fé, mãe do Messias. E possui destaque. JOÃO (ano 90) – É a mediadora da fé e mãe da comunidade.

Os dogmas marianos definidos em concílios

Nos primeiros séculos, houve uma discussão sobre a relação de Maria com Cristo. Muitos hesitavam em chamá-la de mãe de Deus. E a consideravam apenas mãe de Jesus. A discussão gerou o debate sobre o Theotokos (Mãe de Deus) versus Christotokos (Mãe de Cristo).
O Concílio de Constantinopla II (381 d. C.) faz uma alusão à virgindade de Maria, incluindo no Credo a expressão por nós, homens, e para nossa salvação desceu dos Céus. E encarnou pelo Espírito Santo, no seio da Virgem Maria e se fez homem”.  A maternidade virginal sempre esteve presente nos escritos dos pais da Igreja. A polêmica maior se deu entre conciliação da natureza humana com a divina de Jesus.
O Concílio de Éfeso (431 d. C.) procura esclarecer em que sentido se diz que Maria é mãe de Deus: “Santa Maria é chamada Mãe de Deus, não por gerar a natureza divina de Jesus, mas por ter gerado sua natureza humana, a qual está unida ao Verbo na unidade da Pessoa.” E define dogmaticamente que ela é  a Theotokos.
Tempos depois, o Concílio de Calcedônia (451 d. C.) também define em seu símbolo de fé a dupla natureza de Jesus, declarando que Maria é mãe de Jesus, e se ao homem está unido a natureza divina, Maria também é mãe de Deus. A partir do Concílio de Calcedônia (533 d. C.) o dogma passou a ser universalmente aceito.

 Perspectiva protestante

O reformador Martinho Lutero (1483-1546), João Calvino (1509-1564) e Ulrich Zwinglio (1484-1531) não desprezaram Maria. Apenas declararam que não seria lícito prestar culto a ela. Lutero tem Maria em alta estima chamando-a de “altamente louvada” na obra “Magnificat”.
            Foram os evangélicos pentecostais que começaram um combate à mariolatria que chegou a se tornar uma mariofobia, ou seja, uma desconsideração até com a Maria dos Evangelhos.

Os dogmas tardios

Os dogmas da Imaculada Conceição e da Assunção de Maria foram proclamados tardiamente. Já havia acenos nesta direção na prática cristã, mas foram definidos por escritos papais nos séculos XIX e XX.
Em 1854, o papa Pio IX declarou o dogma da Imaculada Conceição de Maria pela bula Ineffabilis Deus, afirmando:

(...) que a doutrina que defende que a beatíssima Virgem Maria foi preservada de toda a mancha do pecado original desde o primeiro instante da sua concepção, por singular graça de privilégio de Deus omnipotente e em atenção aos merecimentos de Jesus Cristo salvador do gênero humano, foi revelada por Deus e que, por isso deve ser admitida com fé firme e constante por todos os fiéis.

A Imaculada Conceição de Maria encontra respaldo na liturgia e também na narração do Proto-Evangelho de Tiago. Este texto datado de 60 d.C. até 150 d. C. apresenta a história de Maria desde sua concepção até a morte, fornece os nomes de seus pais (Joaquim e Ana) e vários detalhes sobre sua vida, além de enfatizar sua santidade. Os nomes dos irmãos de Jesus, por parte de pai, aparecem como sendo Judas, Josetos, Tiago, Simão, Lígia e Lídia (Ver Mc 6, 3). Este texto também fala de sua morte.
A concepção sem pecado está intimamente ligada à doutrina do pecado original desenvolvida por Agostinho. No século XII, houve uma discussão mais intensa sobre se Maria foi preservada do pecado original: Maculistas x imaculistas. Santo Anselmo, Pedro Lombardo, São Bernardo, Santo Alberto Magno, São Tomás de Aquino, São Boaventura e Alexandre de Hales, eram contrários à afirmação. Duns Escoto era a favor: Ela foi preservada pelos méritos do Redentor.
Em 1950, o papa Pio XII proclamou o dogma da Assunção de Maria por meio da Constituição Munificentissimus Deus.  Este dogma diz que Maria foi elevada ao Céu de corpo e alma. O dogma se baseou em antigas tradições sobre a morte de Maria.  Segundo essas tradições, Maria não teria passado pela morte, teria dormido (dormitação) e sido elevada ao Céu.
Existe um texto antigo que fala sobre a dormição de Maria chamado Tránsitus Mariae[1](A Passagem de Maria), do final do século II. É uma das raríssimas fontes sobre o assunto. Esta obra parece ser uma síntese de outras obras anteriores.
A principal fonte de preservação e consolidação desses dogmas foi a liturgia. Por exemplo, desde o século VI se celebra a Festa da Assunção. Desde cedo estes atributos marianos foram celebrados.

Maria à luz do Concílio Vaticano II
O Concílio Vaticano II acolhe os textos da Ineffabilis Deus e da Munificentissimus Deus e afirma que Maria foi escolhida desde a eternidade para ser a mãe de Deus. A Constituição Lumen Gentium considera Maria como a mãe espiritual de todos os fiéis.

Maria e o ecumenismo

Os dogmas marianos são pontos de divergência entre católicos e evangélicos. Mas quando se trata da Maria a partir da Bíblia é possível estabelecer um diálogo. Maria, sem dúvida, é a serva do Senhor, discípula, crente. A partir da Reforma esta foi visão presente entre os protestantes. Em contraposição, o catolicismo popular reagiu com uma visão triunfalista de Maria.
Existem dois excessos em relação a Maria: O maximalismo e o minimalismo. Enquanto uns elevam Maria além do que as Escrituras e os dogmas permitem, colocando num lugar que nem ela quereria ocupar, outros diminuem a figura de Maria, talvez por mero combate, e acabam perdendo até mesmo a inegável Maria da Bíblia.  Portanto, o sensato seria ‘a Maria nem o máximo e nem o mínimo, a ela somente o que é dela’, na dúvida, examine as Escrituras e a prudente Tradição.

REFERÊNCIAS

BOFF, Clodovis. Introdução à Mariologia. Petrópolis, RJ: Vozes, 2004.
O Proto-Evangelho de Tiago.
Transitus Mariae. Tradução: Tránsito de la Bienaventurada Virgen María,.



[1] Segundo o Transitus Mariae, Maria viveu até os 59 anos e morreu no Getsêmani e foi elevada ao Céu por anjos, em um dia de domingo. O texto diz que João, o Teólogo, é autor da história.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Mariologia

 
NOÇÕES GERAIS DE MARIOLOGIA

Introdução
A posição de Maria na história da Salvação é motivo de controvérsias entre católicos e evangélicos. Muitos evangélicos reduzem a importância de Maria a ponto de vulgarizá-la, por outro lado, há católicos que elevam Maria a quase uma condição divina. A religiosidade popular tende a acentuar muito o papel de Maria. Portanto, é preciso fazer as devidas ponderações colocar Maria no seu lugar correto. Por isso, a reflexão sobre Maria tem de partir da Bíblia.

O que é mariologia?
É um campo específico da teologia que trata do papel de Maria na história da Salavação. E subdivide-se em Mariologia Histórica (estuda a figura histórica de Maria), Mariologia Bíblica (estuda as afirmações bíblicas sobre ela) e Mariologia Popular (estuda as devoções populares).

Períodos da História
ü  Igreja primitiva.
ü  Período entre o fim da Era Apostólica e Concílio de Éfeso, em 431.
ü  Período de Éfeso até a Reforma Gregoriana.
ü  De 1000 até o Concílio de Trento.
ü  De Trento até o Concílio Vaticano II.
ü  Do Vaticano II até a atualidade.

Magistérios: Textos sobre os dogmas marianos
ü  Leão XIII: Encíclias Magnae Dei Matris. Aiutricem Populi. Augustissimae Virginis Mariae.
ü  Pio IX: Inefabilis Deus.
ü  Pio X: Ad Diem Illum Laetissimum.
ü  Pio XI: Lux Veritatis.
ü  Pio XII: Munificentissimus Deus. Fulgens Corona. Ad Caeli Reginam.
ü  Concílio Vaticano II: Lumen Gentium.
ü  Paulo VI: Marialis Cultus. Signum Magnum.
ü  João Paulo II: Redemptoris Mater. Redemptoris Custos. Rosarium Virginis Mariae.

*Leia mais sobre o assunto. Em breve, teremos novas postagens.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Liturgia: Gênero Litania

A HISTÓRIA DAS LADAINHAS


Introdução

Ladainha é um gênero de oração que consiste em uma lista de súplicas. A Igreja Católica possui 6 ladainhas de uso público: 1) A Ladainha do Nome de Jesus; 2) Ladainha do Sagrado Coração de Jesus; 3) Ladainha do Preciosíssimo Sangue de Jesus; 4)  Ladainha de Nossa Senhora; 5) Ladainha de São José e 6) Ladainha dos Santos. Existem ainda muitos outros textos de uso particular. Por exemplo, há uma tendência em criar ladainhas para os santos padroeiros. Na América Latina, surgiram textos inculturados das ladainhas.
A forma primitiva das ladainhas parece remeter à repetição do Kyrie na liturgia desde o século VI.


Ladainha Lauretana

A Ladainha Lauretana foi aprovada pelo papa Sixto V em 1587. Esta ladainha é a mais difundida. A sua origem remonta ao século XVI na cidade de Loreto. O santuário de Loreto foi berço deste costume de rezar, depois popularizado em toda a Igreja. Apesar de alguns historiadores apontarem indícios de seu uso anterior ao século XVI, mas a crítica aponta que a oração é de composição do final da Idade Média. A lista de invocações recebeu ao longo dos séculos novos títulos. A última inserção foi feita em 1995 com a aprovação do papa João Paulo II. Acrescentou-se a invocação “Rainha das famílias”.